Você Precisa de mais Hormônio Masculino?

A polêmica do TRT (Terapia de Reposição de Testosterona) surgiu entre os lutadores do UFC, mas levanta dúvidas também entre os praticantes de musculação. Veja o que disseram especialistas sobre os benefícios e riscos desse tratamento.

A sigla TRT é hoje uma das mais conhecidas do esporte. Casos como o do lutador Vitor Belfort, atualmente com 37 anos, que fez reposição de testosterona alegando que, só assim, consegue se preparar em pé de igualdade com os outros lutadores no UFC; chamam a atenção para o uso do hormônio o ganho de massa muscular e a perda de gordura. Mas será que o tratamento desenvolvido para pessoas que têm deficiência de testosterona – assim como a reposição hormonal feminina – não poderá trazer danos para quem o faz sem necessidade clínica, apenas para fins estéticos e competitivos?

É uma pergunta ainda difícil de se responder. Inicialmente, a questão parece ser a mesma do suplemento: você deve suplementar o que está faltando em sua dieta, da mesma forma que você só repõem hormônios se estiver em baixa quantidade.

Em teoria o TRT é usado para combater a antropausa (menopausa masculina), também chamada de Distúrbios Androgênicos do Envelhecimento Masculino (DAEM). Sabe-se que, a partir dos 40 anos ocorre uma queda no hormônio masculino de 1% ao ano. Porém, ainda não há estudos conclusivos sobre os efeitos disso no organismo.

Uma pesquisa realizada com 3.219 homens de 40 a 79 anos, em oito países europeus, buscou estabelecer a relação entre sintomas e níveis de testosterona. De uma lista inicial de 32 sintomas possivelmente associados a queda dos níveis do hormônio, apenas 9 foram confirmados: três ligados a sexualidade (frequência diminuída de ereções matinais espontâneas, de pensamentos eróticos e disfunção erétil), três sintomas físicos (dificuldade de praticar exercícios como correr ou levantar objetos pesados, incapacidade de andar mais de 1km e de ajoelhar e levantar sem ajuda) e três psicológicos (falta de energia, fadiga e tristeza).

Com bases nesses dados, os autores sugerem que o diagnóstico leve em conta não apenas os níveis menores de testosterona total (abaixo de 3,2 ng/ml), mas também a presença de algum elemento de cada um dos três grupos de sintomas citados, ou seja, disfunções sexuais, físicas ou psicológicas.

“A testosterona é um hormônio que desenvolve as características sexuais secundárias masculinas, como barba, engrossamento da voz, agressividade e aumento da massa muscular, estando esse último diretamente ligado ao desempenho esportivo”, explica Érico Chagas Caperuto, professor da Universidade Presbiteriana Mackenzie e diretor técnico do Instituto de Ciência em Nutrição e Performance. “A utilização de testosterona, por promover esse aumento de massa, também diminui o percentual de gordura e acelera o processo de recuperação muscular entre os treinos. Todas essas características fazem desse hormônio um ótimo agente ergogênico para o desempenho esportivo.”

Outra ação do hormônio é nas células tronco. “Estas células são capazes de se transformar em quaisquer outras e são induzidas pela testosterona a se converter em células musculares. O aumento da musculatura contribui para a melhora do desempenho esportivo”, completa Ricardo Meirelles, endocrinologista presidente do departamento de Comunicação Social da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia.

# Mais Testosterona e sem Medicamentos

Todos os risco no tratamento de reposição hormonal de testosterona significam que eu não posso aumentar minha produção? Nada disso. Hoje há maneiras de fazer isso de forma natural, por meio de suplementos e também com estratégias, como:

– Faça exercícios compostos, que recrutam um grande número de músculos, como agachamento, supino, flexões na barra fixa, barras paralelas, afundo e press militar.

– Treine com alta intensidade. Quanto maior for o esforço, maior será a produção de testosterona.

– Ingira fontes de gorduras boas, como: amendoim, abacate, peixes e oléos saudáveis (semente de linho, azeite, canola).

– Evite o consumo de álcool, pois ele influencia negativamente os níveis de testosterona.

– Consuma: Couve-flor, espinafre, brócolis, nabo, rúcula, agrião, mostarda, rabanete e couve de Bruxelas (também conhecidos como vegetais crucíferos). Além de reduzirem os níveis de estrogênio, são antioxidantes.

– Evite situações de estresse. Ele aumenta a produção de cortisol o que, automaticamente, diminui os níveis de testosterona.

– Durma bem, mais uma vez neste caso o vilão é o cortisona que é liberado quando não descansamos o suficiente.

#O Tratamento

O profissional explica como funciona o tratamento “No Brasil, a reposição de testosterona pode ser feita através de gel, aplicado na pele ou nas axilas, ou injeções intramusculares de ação curta (2 a 3 semanas) ou prolongada (10 a 14 semanas), Em outros países existe ainda apresentações em sistemas adesivos, aplicados na pele ou na gengiva. Os medicamentos com ação semelhante à da testosterona, existentes para administração por via oral, não são utilizados na reposição hormonal.”

O tratamento, na maioria das vezes, deverá ser contínuo, pois as doenças que causam diminuição na produção do hormônio geralmente não são reversíveis. “Uma exceção seria a obesidade grave, em que a sercreção de testosterona pode ser normalizada após a perda de peso. Durante o período de emagrecimento, o uso de testosterona, além de melhorar os sintomas de sua deficiência, pode auxiliar na redução da gordura corporal e aumento da musculatura”, explica Meirelles.

#TRT só para Quem Precisa

Repare que o tratamento atua em doenças que causam a diminuição da produção de hormônio. E não pela vontade de ficar mais forte ou render mais. “Como o próprio nome diz, a reposição só é indicada para casos em que a produção natural é baixa ou está baixa (em caso de envelhecimento). Ela deve ser monitorada pelo médico, uma vez que o tratamento é feito com medicamentos a base de testosterona”, lembra Caperuto.

Da mesma forma que o tratamento para mulheres, que costumam ocorrer após a menopausa, a reposição é mais comum com homens de idade mais avançada. Ainda que seja possível indivíduos mais jovens apresentarem deficiências. “Algumas patologias, como o hipogonadismo, podem diminuir os níveis de testosterona. O estresse também pode afetar a produção natural. Outro fator que pode afetar a produção de testosterona natural é o uso de esteroides anabolizantes”, lista Caperuto. “Em jovens, na maioria das vezes, a deficiência de hormônio masculino decorre de doenças congênitas, de tumores dos testículos ou da hipófise, glândula que controla a produção de diversos hormônios”, emenda Meirelles.

#É Seguro?

Se você não se encaixa em nenhum dos exemplos descritos até aqui, vale lembrar que a testosterona não entra naqueles casos do “quanto mais, melhor”. Por isso é arriscado repor algo que não precisa ser reposto. “Embora pessoas sem deficiência de testosterona possam aumentar a massa muscular e o desempenho esportivo com o uso deste hormônio, isso traz uma série de riscos. O excesso de testosterona se associa a maior incidência de diabetes, hipertensão arterial, aumento do volume cardíaco, alterações do colesterol, dos triglicerídeos e da coagulação sanguínea, com ocorrência de aterosclerose, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (derrame) e morte súbita”, alerta Meirelles.

“Podem ocorrer também acne, aumento de volume mamário, alterações psíquicas, aumento da agressividade e conduta antissocial. Além disso, foram descritos casos de rotura muscular em usuários de anabolizantes semelhantes à testosterona. Como nesses casos o hormônio é utilizado em doses excessivas, há inibição da produção de testosterona e de espermatozoides pelos testículos, levando à infertilidade.”

Com tantos riscos envolvidos, é imprescindível o acompanhamento médico para se ministrar esse tipo de hormônio e só lançar mão deste recurso quando ele se fizer necessário, ou seja, quando o corpo começar a diminuir a sua produção. “A utilização de testosterona pode ser positiva, se acompanhada por um médico e feita dentro de parâmetros razoáveis. O problema está no abuso, no uso indiscriminado, sem acompanhamento médico, sem informação, aí o risco aumenta muito e passa a ser uma prática perigosa”, defende Caperuto.

“Em geral, jovens saudáveis não tem necessidade da TRT, sua utilização pode ser feita de forma segura, mas ela é feita de forma irresponsável, baseada em informações empíricas, com medicamentos falsificados ou comprados no mercado negro, na base da tentativa e erro. É preciso que os indivíduos percebam que medicamento não é suplemento, que o abuso ou a falta de informação segura e acompanhamento pode trazer danos muito maiores do que desconforto gastrointestinal ou aumento do tecido adiposo. Na maior parte das vezes o risco é bem maior que o benefício”, completa.

#Risco de Depressão

Um dos efeitos que ainda vem sendo estudado e a tendência de ex-usuários de TRT feito com fins estéticos e/ou competitivos se tornarem indivíduos depressivos. “Foi descrita uma espécie de ‘síndrome de abstinência’ após a interrupção do uso abusivo de testosterona e uma das características é a ocorrência de depressão”, explica Meirelles. “Também ocorre infertilidade prolongada e muitas vezes, os testículos demoram meses para recuperar sua função. Durante esse período, o usuário apresenta sintomas de deficiência de hormônio masculino, com diminuição de libido e dificuldades de ereção.”

Mas, que fique claro isso tem a ver com o uso indiscriminado do hormônio. “Quando a TRT é feita de forma adequada, com acompanhamento médico, não há problemas. No entanto, no abuso existem efeitos psicológicos diretos com o uso da testosterona. O aumento da agressividade e o comportamento de enfrentamento são perceptíveis, relacionados à dose hormônio utilizada. Como resposta, quando a utilização é interrompida e os níveis hormonais retrocedem, o comportamento pendula para o outro lado, gerando depressão e a sensação de ‘nunca estar tão bom quanto tomando os esteroides’, o que leva um comportamento de viciado”, alerta Caperuto.

Risco da Reposição Hormonal de Testosterona Indiscriminada.

– Maior incidência de diabetes;

– Hipertensão arterial;

– Aumento do volume cardíaco;

– Alterações do colesterol, dos triglicerídeos e da coagulação sanguínea;

– Maior risco de aterosclerose, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (derrame) e morte súbita;

– Acne;

– Aumento de volume mamário;

– Aumento da agressividade e conduta antissocial;

– Maior risco de rotura muscular em usuários de anabolizantes semelhantes à testosterona;

– Se o hormônio for utilizado em doses excessivas, há inibição da produção de testosterona e de espermatozoides pelos testículos, levando à infertilidade.

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    1. Geronimo Barbosa Theodoro dezembro 29, 2015

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